Você é feliz em seu trabalho? 2


O que move você profissionalmente? Você tem vontade de levantar pela manha para ir a faculdade ou trabalhar? Quanto prazer você tem na sua vida com suas escolhas profissionais?

A realização profissional acontece junto com a felicidade pessoal, o que é um somatório de autoconhecimento alinhado a boa auto estima, atitudes, decisões, vocação e proposito de vida.

Na minha formação em psicologia fiz estagio em algumas empresas e ouvia diversos sofrimentos nas falas dos colaboradores. Existem muitas demandas psicológicas em relação ao trabalho. Muitas pessoas que atendo no consultório buscam orientação de carreira ou psicoterapia devido a insatisfação profissional.

Estudei a fundo essa parte de prazer e desprazer no trabalho, que virou minha monografia, de base psicanalítica. Eu sou uma pessoa otimista e gosto de levar possibilidade de mudanças, despertar isso, encontrar caminhos. E na clinica particular acompanho pessoas modificando suas carreiras em busca de satisfação profissional.

Escolhas Acadêmicas e Profissionais

Muitas pessoas começam a trabalhar cedo na vida para ajudar no sustento da família. Ou ter sua independência financeira desde cedo. Nesses casos temos muitas pessoas que progrediram, tornaram-se empresários, autônomos, entre outras profissões. Nesse grupo, temos pessoas apaixonadas por seu trabalho e estão psicologicamente bem. E outras que o trabalho significa apenas sobrevivência, sem sentido ou prazer na atividade escolhida.

Então, tudo começa nas escolhas. Muitos jovens tímidos ou inseguros começam a trabalhar pela sobrevivência, com o tempo se dão conta que estão insatisfeitos mas não tem coragem para mudar. Ou não sabem como. Isso também acontece com acadêmicos nas universidades. Angustias vocacionais, insatisfação, tristeza, medo de não se encaixar ou não desempenhar a profissão depois de formado, sentir-se inadequado ao curso escolhido.

Esses conflitos podem levar a busca da psicoterapia, orientação de carreira e/ou testes de orientação vocacional, que ajudam a clarear o proposito de carreira. Para uma pessoa sentir-se realizada com o trabalho/estudos deve ter afinidade com o mesmo e vê-lo como parte integrante da vida, ter um proposito.

Quando se tem vocação existe uma alegria e segurança em desempenhar a área escolhida. Ate para lutar para passar no curso escolhido. Embora existe um processo de desafios, aprendizado, erros e acertos, quando alma-mente-coração estão alinhados a carreira flui. Digo isso por experiência própria também. A fé e o amor pelo trabalho ajudam a superar os desafios. Isso não se aprende na academia, vem de dentro, são valores interiores.

Modo Sobrevivência e Piloto Automático

Se for uma carreira apenas por sobrevivência a insatisfação pode levar ao adoecimento, atestados, afastamento do trabalho, aposentadoria por doença psicológica.  Muitas pessoas decidem seguir no trabalho que não gostam de desempenhar mas continuam por ter um bom ganho financeiro. Muitos servidores públicos e concursados estão nessa tribo.

O problema a médio e longo prazo será manter o equilíbrio e a energia vital. Mesmo mantendo uma boa qualidade de vida, a maioria desenvolve comportamentos disfuncionais (vícios, compulsões, infidelidade, comportamentos bizarros, etc). E outra maioria adoece. Permanecer na sobrevivência é uma escolha, que vai ter um preço.

Já atendi muitos pacientes que refazem suas vidas após aposentados. é uma opção segura de mudança. As mudanças precisam ser feitas de acordo com a personalidade de cada um.

No meio acadêmico, a insegurança de trocar de curso pode levar a pessoa a formar-se em algo que não gostaria ou não sente apto. O que vai desencadear o modo sobrevivência ou encontrar formas de trabalhar que não envolva a formação feita.

O piloto automático ou vitimismo pode fazer a pessoa levar sua insatisfação ou problemas pessoais direto para o trabalho, o que vai contagiar o ambiente negativamente. Muitos acidentes de trabalho, assédios, danos morais, baixa produtividade, falta de respeito e postura profissional acontecem nessa dinâmica.

Normalmente os colegas tóxicos de trabalho estão na dinâmica do vitimismo, coitadismo ou o contrario, o complexo de superioridade. Dai são alarmes de altas patologias psicológicas, os recursos humanos das organizações tendem a colocar limites. Ou trabalhar com alta inteligência emocional nesses ambientes com pessoas abusivas, somente o tempo necessário.

Consciência da necessidade de mudanças

Mesmo que a pessoa esteja satisfeita com seu trabalho, uma hora a vida pede mudanças. Isso é normal. Então o mais importante nas demandas profissionais é o autoconhecimento.

Conhecer a si mesmo, seus valores, seus desejos, aflições, propósitos, tipo de personalidade ajudam a clarear o que você quer. Como dizem os filósofos: a direção é mais importante que a velocidade.

A insatisfação ou adoecimento no trabalho precisam ser reconhecidos como problemas que precisam de atenção. Escute seu coração, seu corpo, tire um tempo para refletir.

Reflita: Quem eu sou? o que me faz feliz? O que é prioridade na minha vida? Que tipo de vida eu quero ter? Quais minhas necessidades vitais para me sentir bem? Eu reservo um tempo para cuidar de mim? Como esta minha energia vital? Estou em paz?

Varias características psicológicas podem ajudar ou atrapalhar no desempenho profissional. Por isso o autoconhecimento é essencial. Trabalhar cansa, é preciso administrar bem o tempo para descansar, dar atenção a si mesmo e a quem você ama. Ir fazendo mudanças para a vida ter mais sabor e sentido.

Auto cuidado e Resiliência

Os desafios de cada trabalho estão ai. Você sabe o que torna sua profissão difícil, o custo mental/físico/emocional dos dias difíceis e aprendizados que o trabalho exige. Por mais que você ame o seu trabalho, tem dias que vai dar tudo errado ou que você vai estar sobrecarregado e ficar exausto(a).

O excesso de trabalho pode ser uma fuga de problemas na vida pessoal. Ou dificuldade de dizer não. Isso gera exaustão física e emocional, baixa a produtividade. Nunca esqueça de cuidar de você.

As vezes aprende-se a refazer a vida profissional passando por doenças graves como infarto, câncer, TAG. Ou situações de luto por suicídio, acidentes, divorcio. São situações urgentes que levam a olhar para o emocional. O covid contribui nesse sentido também com tantas experiências de quase morte e luto.

A vida é um conjunto de partes: pessoal, familiar, social, profissional. Cuidado se você se dedica apenas a uma área, reflita e busque ajuda se você esta fugindo do seu emocional. Seus resultados estão ligados a sua vida no seu todo. E se precisar de ajuda, conte comigo.


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2 pensamentos em “Você é feliz em seu trabalho?

  • Paulo Roberto Rivarola

    Interessante as vezes precisamos que outras fontes indiquem para nós o que já sabemos, mas não conseguimos, por nossa conta ver aquilo que está bem á frente de nossos olhos.