O que implica a infidelidade?


Trair ou não trair? Eis a questão diante da insegurança afetiva. E para quem traiu ou esta traindo, o que fazer agora? E se você traiu e esta apaixonado? Ou ainda, se você e seu cônjuge decidiram por relações abertas e perderam o controle da situação? O que fazer?

O uso da vontade passa pelos desejos e expectativas com o parceiro(a). Todos tem possibilidades de terem relações extra-conjugais. Por que alguns nunca fazem? E outros enredam por esse caminho?

São as diferenças de personalidade. No cenário da fidelidade temos características como: cuidado com o outro, não fazer com o outro o que não gostaria que fizessem consigo, confiança, lealdade, racionalidade, companheirismo e o principal elemento: amor.

No cenário da infidelidade, já temos vários componentes de personalidade que até indicam que a relação não vai ser tão satisfatória. Por exemplo: carência afetiva, ciumes, possessividade, dependência financeira, incompatibilidade sexual, dialogo critico, narcisismo, autoritarismo, perversão, compulsão sexual, depressão e por ai vai.

Quem vai ao analista aprende que para construir um relacionamento duradouro e satisfatório é preciso estar de bem consigo. Os casos de infidelidade que chegam na clinica vem de pessoas que nunca fizeram terapia, no acumulo dos problemas, acabam aumentando seus problemas. Até procurar ajuda especializada no auge da angustia e da ansiedade para entender-se.

O comportamento infiel muitas vezes é justificado por uma necessidade de realizar fantasias, não considerando o fato como “traição”, associando o comportamento a liberdade, poder, independência. Associado a isso, existe um discurso de mentiras para os cônjuges e desejo por culpabilização do parceiro.

Muitas pessoas também traem na tentativa de preencher carências com outro relacionamento. Sim, quem trai é carente e infantil.

Diante de tanta liberdade trazida pela modernidade e a falta de valores espirituais, as pessoas inseguras e carentes nadam neste cenário. E acabam confusas, angustiadas. A infidelidade é um comportamento que tende a aumentar os sentimentos de raiva, culpa e angustia. Isso fragiliza o sistema familiar.

A análise é um processo de consciência. Em uma perspectiva psicanalítica: O que eu estou fazendo? O que eu quero para mim? Entender-se a partir de um olhar mais ampliado. A infidelidade traz uma série de questionamentos sobre capacidade de ter vida dupla, mentira, falsidade, superficialidade amorosa, incapacidade de comprometimento, tendência de magoar os outros, codependencia afetiva.

Por outro lado, o cônjuge traído também tem sérias dificuldades afetivas. Muitas pessoas acham que não precisam se esforçar para melhorar ao longo do relacionamento e se esquecem que precisam manter a chama da paixão acesa. Esse esquecimento e a possessividade podem fazer morrer a relação amorosa e virar uma relação de amigos.

A possessividade de um dos cônjuges prolonga o sofrimento. Se o amor acabou, se já existem outros(a) na história, a sabedoria seria deixar ir. Aceitar. Desvincular-se de uma relação doentia. Criar consciência.  Em primeiro lugar, o amor a si mesmo e a vida.