Pais em terapia, filhos felizes


Quando os pais procuram terapia para os filhos e eu sugiro uma terapia familiar, que eles também façam, percebo que existe muita falta de conhecimento neste sentido.

Muitos pais, ignorantes em questões afetivas e psicológicas, querem apenas levar o filho na terapia atribuindo todas os sintomas apenas a criança, como se nada tivessem a ver com as demandas psicológicas.

No judiciário, nas questões de guarda, é pior. Muitos pais buscam a psicoterapia apenas para ter um papel de comprovação ou buscam porque são “obrigadas” a fazer, não veem o porquê (e as bençãos) de frequentar um analista.

Na minha forma terapêutica de trabalhar, não atendo criança sem os pais. Comecei a estudar a terapia familiar e de casais após atender crianças que não melhoravam na clinica. Eu dava um suporte mas não resolvia a causa dos problemas.

Como analista eu prezo por ir nas origens. Prezo por melhoras e resultados duradouros. Gosto de ver as pessoas satisfeitas, me realiza. E é fantástico o universo familiar e os resultados que uma terapia familiar pode proporcionar.

Crianças e adolescentes com demandas psicológicas, separação, divórcio, novos relacionamentos são uma oportunidade de terapia familiar. Alguns jovens conseguem convencer a família toda a se tratar, onde se tem mais flexibilidade e escuta, é mais fácil e os resultados mais rápidos.

Outros, com pais fechados, donos da verdade e inflexíveis, na cultura do piloto automático, sofrem. Os sintomas aumentam com o tempo. O resultado são adultos com anos de terapia e que não se encontram. Ou famílias que passam por graves problemas, como alcoolismo, dependência química/financeira, depressão grave interminável.

Por isso sempre sugiro terapia familiar, acho preventiva e com resultados muito bons. Exemplo disso são diversas histórias que já acompanhei a acompanho na clinica. Pessoas que fazem análise, antes de tornarem-se pais, não precisam buscar psicologo para seus filhos. Ou ainda, pais que fazem análise relatam melhora na qualidade de vida emocional da família. Melhora-se o relacionamento com os filhos, cônjuge, dialogo. Na verdade, aumentando a satisfação pessoal as melhoras nos relacionamentos é consequência.

Quando um membro da família não esta bem e necessita de ajuda especializada gera-se muitos questionamentos no ambiente familiar. Felizmente quando se busca ajuda é possível olhar o todo e melhorar a qualidade de vida da família.

Independente do cenário dos sintomas psicológicos como por exemplo: choro, sensibilidade, ansiedade, alterações de humor, fobia social, hiperatividade, irritabilidade.

A consciência que ninguém é perfeito e podemos melhorar. Por mais que façamos, temos nossas memórias e aprendizados de nossos pais e temos limites. Cada um na família tem o seu papel assim como o terapeuta ocupa o papel de acolher e mediar.

Em um processo terapêutico sabe-se que o universo humano vai muito além de um diagnóstico. Os diagnósticos chamam a atenção para tudo que esta reprimido ou latente no inconsciente familiar. Ou seja, é preciso parar para refletir sobre os processos afetivos e de liderança familiar, dinâmicas de relacionamento na família, como o conflito se formou e como o mesmo se manifesta. A família é um sistema que transcende os sintomas individuais.

A psicoterapia é uma experiência muito rica no sentido de ampliar o olhar sobre os sintomas, desfazer culpas e julgamentos e dar um sentido diverso da família para encarar a questão com neutralidade.

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A partir da compreensão e do entendimento, possibilita-se que os conflitos sofram mudanças em seu padrão negativo. Assim facilitando relações de tolerância, apoio, processo de tratamento positivo em relação ao transtorno.

Olhar do sintoma individual ao sistema familiar aumenta o potencial transformador de um processo terapêutico.

Permita-se.

apoio-familiar

 

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