Como superar e evoluir após uma separação? 3


A dor de uma separação amorosa equivale a um processo de luto. Isso acontece devido as expectativas criadas ao longo do relacionamento, apego, rotina, vinculo afetivo, famílias envolvidas. Muitas vezes, guarda de filhos (vou falar sobre isso ao longo do texto). Romper um vinculo meche muito com os sentimentos e ate pode despertar graves crises emocionais e existenciais.

Quando pensei em escrever este texto tinha a ideia do tema de como evitar uma separação traumática. Mas dai me dei conta que as separações são traumáticas por natureza, a maior parte dos meus atendimentos individuais vem de traumas afetivos e amorosos, alguns em processo de separação e outros que vão divorciar-se.

Mas como superar isso? E seguir a evolução pessoal após a separação? E focar em ser um processo sem danos para ambos? Isso é possível.  A psicoterapia busca o equilíbrio emocional para clarear decisões, para que sejam tomadas sem arrependimento. E as orientações especializadas para evitar traumas e danos em um processo de separação.

Com equilíbrio emocional, maturidade, sabedoria, orientação especializada o paciente sente que esta fazendo sua parte da melhor forma. Fica tranquilo com sua consciência e mantendo o respeito pela outra parte, isso já vai facilitar o dialogo do termino e as combinações no que diz respeito a bens e filhos.

Aceitar que acabou.

A separação é uma decisão que não necessariamente é tomada em conjunto. Pela falta de um dialogo de qualidade ou assertividade para resolver conflitos a dois. Quanto maiores os conflitos, maior pode ser o distanciamento afetivo e acontece de um dos parceiros desistir do relacionamento.

Percebo como psicanalista e psicóloga, essa desistência na maioria das vezes não é comunicada ao parceiro. Por medo de magoar, medo de tomar uma decisão errada, medo do outro não aceitar, não querer dividir bens… Essa mistura de sentimentos da inicio a uma confusão emocional. E o parceiro vai perceber que o relacionamento piorou, que o cônjuge não esta bem. Isso pode desencadear as primeiras conversas sobre termino ou procurar uma terapia de casal.

Se nada for feito para melhorar o relacionamento, a duvida que o relacionamento acabou vai virando certeza. Dai vai entrar habilidades emocionais e inteligência racional para organizar uma separação da melhor forma para ambos. E nem sempre o outro aceita ou facilita o processo, mas ai é uma questão do parceiro, não controlamos as atitudes dos outros e nem somos responsáveis pela vida deles.

Quanto mais rápido aceitar que o relacionamento acabou melhor para ambos. Quando um não quer mais e tem certeza disso, ou demonstrou por atitudes que decidiu terminar (traição, agressividade, danos morais, desrespeito a família/filhos), a pessoa saudável psicologicamente  aceita a realidade, por mais dolorosa que ela seja.

Muitas separações são traumáticas justamente pela falta da comunicação e inteligência emocional, muitos parceiros entram em choque emocional ao descobrir uma traição, ou recebeu um termino por e-mail, mensagem, ou parceiro tirou as coisas da casa e sumiu. Cada um comunica o termino de acordo com sua maturidade ou infantilidade emocional. O medo da reação do parceiro também pode levar a términos abruptos. Nesses casos além de aceitar o termino vai entrar o tempo de viver o luto do relacionamento e reorganizar-se emocionalmente.

Respeitar o tempo do luto da separação.

Os primeiros meses após o termino vão ser de muita reorganização emocional, pessoal, familiar. Muitas pessoas buscam psicoterapia nessa fase para entender o que aconteceu, o que deu errado, onde esta errando na vida amorosa ou o porque de ter “dedo podre” para relacionamentos.

Então é importante nessa fase evitar ao máximo de contato com o ex, para processar o termino e não ceder a tentações de ilusões emocionais que poderia dar certo. Após a separação a pessoa fica frágil emocionalmente e pode cair facilmente em armadilhas emocionais como retomar o relacionamento ou entrar em um novo relacionamento.

Términos amorosos afetam auto estima, desempenho no trabalho, as finanças. Como toda mudança de fase e de ciclo, vai ser um tempo de autoconhecimento e mudanças positivas. O pior é aceitar que acabou e terminar. Depois a vida vai se reorganizando e com autoconhecimento pode-se promover mudanças interiores que levem ao retorno da felicidade pessoal e com o tempo retomar a vida amorosa com mais consciência.

No final do luto do termino amoroso vem a sensação de alegria e alivio.  é  muito bom quando nos ouvimos, nos respeitamos e decidimos mudar para melhor. Mudanças trazem um sofrimento inicial mas quando combinam com que queremos para nossa vida é uma transformação necessária e que vai gerar novas possibilidades.

Ouço relatos dos meus pacientes descreverem o sentimento de paz, alivio, satisfação em ter resolvido o que estava ruim e não ia mudar, sair do mal estar a dois e voltar a viver bem ou aprender a ficar bem sozinho(a).

Preservar os filhos dos conflitos conjugais

Em separações e divórcios com filhos, a responsabilidade aumenta. Continuar casado por causa dos filhos não é uma boa opção devido a insatisfação conjugal fazer mal ao ambiente familiar. Crianças precisam de lares saudáveis emocionalmente e aprendem a construir seus vínculos amorosos com seus pais.

As crianças sabem quando os pais não estão bem. E a separação, divorcio é  entre o casal, adultos. Os filhos sempre serão filhos e devem ser preservados. Quando existe respeito e maturidade os filhos não são envolvidos nos conflitos conjugais e as separações podem ocorrer sem danos ao psicológico dos filhos.

Pais e mães que amam seus filhos incondicionalmente não vão usa-los como chantagem, manipulação ou projeção de seus próprios problemas emocionais. é importante manter o respeito as figuras materna e paterna, comunicar juntos aos filhos que vão se separar, estabelecer as novas rotinas para as crianças. Nesse processo precisa ter dialogo dos ex cônjuges pensando no bem estar dos filhos. Já acompanhei famílias nesse processo, são as separações com menos traumas, mais leves pelos pais estarem de acordo que o psicológico dos filhos é muito importante e não deve ser afetado pela separação.

Na falta da estabilidade emocional ou surto de um dos cônjuges é fundamental buscar assessoria jurídica e guardar provas de ameaças, alienação parental, danos morais. Alguns genitores usam os filhos com posturas destrutivas ou oferecem perigo, nesses casos precisa-se usar de formas de defesa possível.

Evolução Pessoal e Familiar

Atendo muitos casais e famílias que procuram a psicoterapia para orientação para conduzir uma separação da melhor forma ou adaptar-se pós separação. Algumas pessoas também procuram psicoterapia individual para entender melhor os conflitos do casamento e decidirem se querem ou não separar-se. Tambem tem aquelas pessoas que são pegas de surpresa por traição e a necessidade da separação torna-se imediata.

Superar e evoluir são marcos pessoais. Quando entramos em um relacionamento não sabemos quanto tempo a pessoa ficara conosco, a morte nos mostra que somente nossa vida/alma nos pertence. As separações ajudam o psicológico a aceitar o desapego e a importância de você gostar da sua própria companhia. Querer o bem para você mesmo, estar sempre aberto a aprender e manter seu propósitos de vida.

 


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