Como ajudar-se diante de um parceiro que não aceita ajuda?


Recebi a seguinte colocação:

“estou atrás de um tratamento para meu cônjuge. Ele(a) sofre de ansiedade, fica para baixo, não tem animo, não tem vontade de viver. Estou preocupado(a) e gostaria de ajudar. Ele(a) diz que não precisa de ajuda, gosta de dormir para ver se passa e ele(a) é cada vez mais dependente de mim. E isso não esta legal.”

Trata-se de uma questão muito comum em relacionamentos de co-dependencia afetiva. Nesses casos de falta de sintonia precisa-se escolher: estacionar ou evoluir?

Tudo muda a cada instante. Há pessoas que buscam constantemente autoconhecimento, transformação e evolução. Outras optam por estacionar na vida e escolhem não mudar. Como o primeiro passo para fazer mudanças é querer mudar, se o parceiro nega, já sabemos que não vai haver evolução e os conflitos tendem a se manter e aumentar.

Nessa situação pode-se fazer as seguintes reflexões:

* Que papel estou assumindo nessa relação? De pai, mãe, ou cuidador?

* Onde estou colaborando para deixar meu parceiro(a) desse jeito?

* Por que eu atrai essa pessoa? O que preciso aprender nesse relacionamento?

* O que esse relacionamento pode significar para minha evolução pessoal?

* o que significa amar e ser amado para mim?

* Me permito receber o afeto que me faria feliz?

* quais minhas necessidades em um relacionamento?

Um dos desafios das pessoas co-dependentes é aprender a dizer não. Não para situações que não desejam, para não serem explorados ou usados, não serem ridicularizados ou culpados. Pelo medo de perder a pessoa amada, ilusões ou ganhos secundários pode-se manter a relação estacionada na zona de conforto.

A co dependência é uma doença do afeto. Os sintomas começam de forma inconsciente já na escolha do parceiro(a).  Encontrar alguém “para tomar conta”, “ser cuidado”, “ser o vitima”, “culpar o outro por tudo de errado”, são projeções mal resolvidas da infância.

Evoluir significa buscar auto conhecimento, desenvolver novos comportamentos frente aos desafios da vida, fazer terapia, cuidar de si mesmo com amor. Estacionar significa viver os padrões familiares de repetição, regredir. São decisões diferentes.

A pessoa com personalidade infantil e narcisista pode acreditar que o problema é o outro. O cônjuge, o chefe, os pais, o planeta, tudo menos a si mesmo. Já quem opta por evoluir o amor está sempre junto as decisões. Amar implica querer o bem do outro. E quando realmente amamos sabemos que só podemos fazer 50% na relação.

Maturidade emocional é assumir a responsabilidade pelos 50% e deixar o parceiro contribuir igualmente. Ou buscar uma terapia conjugal para fazer ajustes. Ou terminar o relacionamento diante da solidão e opções de vida diferentes.

Por isso muitas pessoas mudam suas vidas fazendo terapia e recomendam. É essencial aprender a se valorizar. Sintonizar as boas energias e saber “ler o outro”. Ler o que não é dito, colocar limite em abusos psicológicos ou situações desagradáveis. Reclamar apenas gera energia negativa e estimula as neuroses e papeis vitimista. Atitude é sempre melhor.

Ser lagarta ou virar borboleta? É uma decisão pessoal de cada um. E dá uma ótima sessão de análise. Bora?

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