Angustias Homoafetivas: auto aceitação.


A maior angustia homoafetiva começa na aceitação dos familiares. Consultando meus registros de consultório, o numero de homossexuais com apoio e aceitação dos familiares é muito menor comparado as pessoas que tem dificuldade para contar a família, não recebem apoio, sofreram violência ao revelar ou a família descobrir.

De início, conforme a psicologia da sexualidade e psicologia afirmativa, a homossexualidade é natural assim como a heterossexualidade ou a bissexualidade. Diferente de gênero masculino ou feminino, a orientação sexual vai se desenvolvendo a partir da infância e na pré adolescência já se pode ter uma constatação da mesma.

“Eu percebi que sinto atração por outro menino. Isso é normal?” (menino, 9 anos).

“Meu filho com 3 anos gosta de brincar de boneca e usar roupas femininas. O pai dele bate nele, xinga, manda ele “ser homem”, não admite seu lado feminino” (mãe, 28 anos).

“Eu gosto de mulheres. Meu pai não vai aceitar nunca, ele nunca gostou de mim mesmo. Minha mãe vai achar que errou comigo e vai se sentir culpada. Eu a amo tanto, não queria que ela sofresse por isso”. (adolescente sexo feminino, 14 anos).

“Descobri que sou gay aos 40 anos. Vou precisar me separar e ficar com que amo. Vai ser difícil explicar para minha família”. (homem adulto, 40).

“Eu sei que gosto de mulheres, mas quando penso na foto da família encima da mesa do meu trabalho, no meu pai, no preconceito que posso sofrer, da vontade de ser heterossexual. Talvez possa casar, ter um filho e uma amante mulher”. (mulher, 28 anos).

 Nossa sociedade brasileira cheia de tabus, religiões conservadoras e preconceitos em relação a sua própria sexualidade (tema bastante reprimido) o homossexual pode iniciar sua sexualidade negando-a  ou reprimindo-a, como exemplifico acima nos exemplos citados. Pensamentos como “não é normal”, “não vão me aceitar”, “vou decepcionar meus pais”, “vou ser rejeitado pela sociedade”, “vou ser expulso de casa”, “crença de pecado”, medo de rejeição, medo da violência, entre outros exemplos acabam dificultando a aceitação do que se deseja e se gosta naturalmente.

Isso vai ter consequências futuras nas escolhas e vivencias dos relacionamentos. A pessoa pode viver escondida sua homossexualidade e privar-se da família ou relações sociais, pode forcar-se a ter um relacionamento heterossexual e ser frustrado na intimidade ou ainda ter relações extra conjugais homo. Quanto mais se rejeita e reprime o que se é, mais difícil será o bem estar na vida.

Quando a família aceita e apoia com naturalidade (amor incondicional) torna-se mais fácil para a pessoa aceitar e estabelecer relacionamentos, lidando com o desafio do preconceito social. Muitas famílias buscam terapia de família no sentido de protegerem seus filhos(a) da maldade/inveja social, outro ponto de angustia.

Com preconceito, homofobia ou violência, a homossexualidade é vivenciada de forma dolorosa, traumática, podendo levar a serias consequências, como falsa heterossexualidade (e homofobia), frustração amorosa, perda de vinculo familiar, insegurança, depressão, suicídio.

Muitos gays e lésbicas podem sentir-se culpados em relação à sua identidade ou ter ódio de si mesmo construindo crenças negativas a respeito de si mesmo e do amor. Por isso muitos procuram a terapia para entender-se melhor e desconstruir crenças negativas, construir uma identidade positiva e integrada, com auto- aceitação, amor próprio e sentir-se merecedor de uma vida satisfatória, de ser quem se é.

A terapia aumenta o amor próprio. Isso auxilia no processo de decisões assertivas facilitando uma vida com proposito. A vida é uma oportunidade única, diminuir a preocupação com os outros e focar em seu coração usando da sua inteligência pode tornar tudo melhor.

“Muitos indivíduos altamente respeitáveis da antiguidade e também dos tempos modernos foram homossexuais, diversos homens grandiosos. “É uma grande injustiça perseguir a homossexualidade como se fosse um crime – e uma crueldade também”. (S. Freud).

“Nunca houve, da nossa parte, essa visão de que somos um casal homoafetivo. É tão normal gostar, amar, é tão natural que não cabe tachar. Não é um “amor homoafetivo”, é “amor”. Nossas famílias também assimilaram isso muito bem. A princípio era só com respeito, “O mundo é deles, vamos respeitar”. Hoje já são mais participativos, já participam do nosso mundo” (casal homoafetivo, 20 anos juntos)

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *