Acompanhamento psicológico em processo de separação/crise conjugal.


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O tema de hoje é voltado a todas as pessoas que enfrentam conflitos conjugais, com anseio pelo resgate do relacionamento e medo ou ainda, desespero, com a possibilidade de separação.

Em alguns relacionamentos, os conflitos entre o casal ocorrem desde o inicio. Mesmo na fase inicial do namoro, as diferenças de personalidade se sobrepõem na relação e podem trazer a tona diversos aborrecimentos. Ciúmes, traição, vícios, possessividade, falta de afeto, excesso de trabalho, entre outros pontos de tensão vão causando abalos e deixando a relação cada vez mais vulnerável.

Com o passar do tempo, pode-se dizer que as neuroses se adaptam. Ou seja, cada um desenvolve um estilo de comportamento para lidar com o que incomoda no(a) parceiro(a). Desenvolvem-se crenças que mantem a relação. Por exemplo: “ele(a) não esta em casa, mas é através do trabalho que oferece conforto para a família”; “odeio quando faz isso, mas vou ficar quieto(a) para não ter briga”; “ela(e) não me entende, não adianta falar”.

Somado a isso, cada individuo traz crenças de sua família que influenciam seu jeito de amar e atuam de forma inconsciente, modelando a relação familiar. Por exemplo, um homem adulto que sofre com um duplo comportamento. No trabalho é amável, querido, afetuoso. Quando chega em casa, muda seu humor para áspero, de pouca conversa, sente-se incomodado por qualquer coisa e não entende porque age assim.  Em uma psicoterapia analítica, analisando as crenças desse homem, descobre-se que os pais dele tinham uma relação conflituosa. Além disso, existiam problemas de alcoolismo e infidelidade e o relacionamento é interrompido de forma traumática, após uma das brigas, por um acidente no qual o pai morre.  Nesse exemplo, o homem, que era uma criança, identificou amor como perda. Passou sua vida temendo entregar-se afetivamente e ser traído. Construiu crenças: “o amor é perigoso”, “pode-se perder a qualquer momento”, dai seu duplo comportamento na fase adulta.

Nem sempre quem tem relacionamentos conflituosos viveu uma infância traumática. Há várias formas de entender o que é amor, aprender a se relacionar, ouvir, interagir. Essas crenças atraem os parceiros(as) e trazem um modelo inconsciente de relacionamento.

Com o passar dos anos, os conflitos adaptados e que estavam em “banho maria”, podem vir a tona em fortes crises emocionais, até mesmo explodir. Vários eventos podem trazer a tona as emoções guardadas e mal resolvidas: traição, divergências na educação dos filhos, divergências financeiras, doença/luto familiar, divergências entre as famílias, ciúmes, entre outros.

Apesar dos conflitos sempre existirem quando ocorre um episódio de explosão a família entra em crise de grande proporção. A terapia é muito procurada nesses momentos. Percebe-se o peso de tudo que vem mal resolvido e por isso essa carga emocional afeta o desempenho no trabalho/estudos, concentração, desnorteando a família.

Nessa fase, sintomas de duvida, insegurança, medo da perda, arrependimento, vontade de resgatar a relação, desejo começar a viver de outra forma são comuns.

As brigas do casal, o clima pesado no ambiente, podem atingir os filhos, que podem começar a ter episódios agressivos, isolamento, ansiedade, indecisão, choro, distúrbios alimentares, vícios. É uma fantasia o pensamento de que um casal poderá superar seus conflitos sem auxilio especializado; e é calamitoso quando negam sistematicamente algum tipo de auxílio.

O acompanhamento psicológico é uma atitude de amor à família, um reflexo de humildade saudável e vai atuar na dinâmica do relacionamento e análise individual. Também é importante lembrar que a psicoterapia tem caráter preventivo. Não é preciso deixar para buscar ajuda apenas quando chega-se na violência, doença, separação. Quanto antes, melhor, para escrever um caminho mais saudável, menos neurótico.

A psicoterapia ressignifica os acontecimentos negativos. Trabalhando o passado, com foco no presente, pode-se diminuir as consequências da ansiedade, tensão, medo, brigas.

Passada a fase aguda do conflito, o casal pode atingir uma nova rotina, com mais dialogo, parceria, capacidade de escuta do outro.

Em toda situação de crise, para quem deseja melhorar, é muito importante: entender sua maneira de amar e demonstrar seu amor; sua herança emocional familiar; e o que pode ser mudado no presente para maior qualidade da vida a dois. Às vezes também, no caso das relações masoquistas, pode-se conquistar a liberdade de dizer não ao que faz sofrer.

Casais com décadas de convivência podem ter muita dificuldade de olharem para si, outro beneficio do acompanhamento terapêutico, resgatar as individualidades.

fortalecercasal_psicoterapiaA terapia não só pode conduzir a uma mudança de conduta, mas também levar a uma nova fase de redescoberta do prazer de estar com o outro; é o teste quase que peremptório sobre a dúvida ou certeza dos sentimentos perante o parceiro, sejam positivos ou negativos.

 

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