Enfrentando a Codependência Afetiva


A codependência é uma doença emocional muito séria, afeta homens e mulheres, causa sofrimento, infelicidade, frustração, solidão, desespero afetivo. Escrevo esse artigo para ajudar as pessoas entenderem um pouco mais sobre o assunto ou quem se reconhecer nos sintomas pode buscar ajuda para enfrenta-la e mudar de vida.

Dificilmente alguém busca terapia por ser codependênte. Normalmente, a pessoa pode chegar na análise queixando-se de insatisfação conjugal, dificuldade de relacionamentos, abusos em relacionamentos, abusos no trabalho ou até explosões de raiva, frustração quando as coisas não saem como planejadas ou quando alguém “foge do controle” ou ainda doa-se muito a alguém e não recebe nada em troca. Todos esses são sintomas da codependência.

Os sentimentos normais como vergonha, medo, dor e raiva tornam-se tão exagerados nessa síndrome, que deixa as pessoas presas a um estado emocional marcado pela ansiedade e angústia. Essas pessoas podem achar que devem fazer os outros felizes ou são responsáveis pelo bem estar dos outros e quando não conseguem fazê-lo sentem-se inferiores ou fracassadas.

As pessoas que sofrem de codependência lidam com intensas reações emocionais diante de situações aparentemente simples para outras. Por exemplo, explosão de ira, desespero em situações como discutir um filme com o cônjuge, onde passar as férias, tristeza causada pela mudança de um amigo, o canteiro de flores destruído pelo cachorro do vizinho, algo que sai diferente no trabalho ou de suas expectativas, ou assumir a culpa pela morte ou doença, vicio de alguém querido. Em geral, são reações emocionais aparentemente incontroláveis que sabotam a vida e os relacionamentos dessas pessoas.

Os codependêntes tem dificuldades:

* Vivenciar níveis adequados de auto estima.
* Aceitar a si mesmo e os outros como são.
* Estabelecer limites saudáveis em relacionamentos.
* Admitir e expressar suas reais necessidades e fazer-se feliz.
* Tomar conta de seus desejos adultos, se valorizar.
* Experimentar e expressar harmoniosamente sua realidade (interna e socialmente).

A pessoa codepêndente  tem muito a dar, são pessoas naturalmente prestativas e delicadas. Em uma análise mais profunda, acabam doando-se muito para ganhar aprovação dos outros ou utilizar a intimidade como controle na relação. Esses comportamentos visam diminuir a sensação de mal estar (auto estima baixa) e quando conseguem controle ou aprovação sentem-se melhores.

A origem da doença esta ligada ao desenvolvimento em famílias disfuncionais, ou seja, em um ambiente que não foi possível construir uma boa auto estima. Quando criança não consegue vivenciar adequadamente suas emoções acaba “congelando”. Por isso a análise ou acompanhamento terapêutico é fundamental para conseguir mudar, o terapeuta auxilia no degelar das emoções, em áreas extremamente vulneráveis e infantis. Por esse motivo, muitas pessoas pioram ao usar medicamentos sem psicoterapia, o remédio não age na causa do problema. Para superar a longo prazo, é preciso sair da ilusão do mágico e mergulhar para dentro. Como diria Freud, a infância não desaparece. Quando o sofrimento emocional é muito grande, a infância precisa ser revisitada.

Diante da consciência do problema pode-se enfrenta-lo. Como a codependência esta relacionada a uma criança interior machucada, sistema familiar, sistema de crenças o tratamento psicoterápico envolve uma revisão do passado. Esclarecer nossa própria história é o segundo passo no processo de recuperação.

Etapas da Terapia na superação da codependência:

* Fazer uma viagem profunda as raízes, identificar com o terapeuta as origens de padrões mentais e comportamentais. Remodelar os estilos de relacionamento aprendidos na infância.
* Entender o que ativa sua codependência e  desenvolver um novo modelo emocional, saudável.
* Aprender a cuidar de si mesmo, viver no presente, aumentar a auto estima e auto confiança.
* Aprender a se desapegar emocionalmente de quem não faz bem, aprender a lidar com a raiva, aprendendo o perdão.
* Desenvolver a inteligência emocional para lidar com frustrações.
* Aprender a comunicação não violenta, aprender a dizer não e construir relacionamentos saudáveis.
* Praticar os aprendizados em construções de novas relações  leves e prazerosas.  Sentir-se plena e reestruturada por completa.

Então, deixo o convite para essa caminhada terapêutica. Sair do piloto automático e encontrar sua essência.

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